Malformações venosas: a mais comum das malformações vasculares.
As malformações venosas (MV) são o tipo mais comum entre as malformações vasculares, correspondendo a cerca de 40% de todos os casos. Segundo a classificação atualizada da ISSVA, pertencem ao grupo das malformações vasculares simples.
Apresentam um espectro clínico variado, que abrange desde pequenas lesões e ectasias cutâneas isoladas até formações volumosas que afetam múltiplos tecidos e órgãos profundos.
Por que a malformação venosa acontece?
A malformação venosa decorre de uma alteração estrutural no desenvolvimento dos canais venosos. São vasos mal definidos, com paredes irregularmente afinadas e ausência focal de células musculares lisas, permeando a pele e os tecidos anexos.
Manifestações clínicas e evolução.
As lesões geralmente estão presentes desde o nascimento e progridem ao longo da infância — e, em menor grau, na vida adulta.
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Aparência inicial
Ao nascimento, costumam apresentar-se como placas ou nódulos sutis, macios, azulados e compressíveis — desbotam ou diminuem sob pressão.
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Características físicas
São lesões hemodinamicamente inativas, de baixo fluxo: não apresentam sopros, frêmitos nem aumento de temperatura local.
- Lesões purasTom azulado na pele ou na mucosa.
- Lesões combinadas (capilar + venosa)Tonalidade do vermelho-escuro ao violáceo.
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Comportamento do volume
Aumentam de tamanho durante atividades físicas, ao colocar o membro ou a região em posição pendente, e diante de alterações hormonais — como a gravidez — ou traumas.
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Localização e profundidade
A maioria ocorre na região da cabeça e do pescoço. Frequentemente envolvem estruturas profundas, como músculos e fáscias.
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Sintomas
É comum a ocorrência de dor matutina, provocada pela estase sanguínea e pela formação de microtrombos locais. Pode haver também alterações ósseas subjacentes — afinamento ou desmineralização — em até 71% dos casos.
Possíveis complicações
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Flebólitos
Flebólitos são trombos venosos calcificados que podem gerar dor à palpação local.
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Coagulopatia de consumo
A estase do sangue nos canais dilatados pode consumir fatores de coagulação e reduzir moderadamente o número de plaquetas. Esta condição deve ser rigorosamente investigada antes de qualquer procedimento invasivo e tratada adequadamente, por exemplo com heparina de baixo peso molecular.
Diagnóstico
O diagnóstico inicial é eminentemente clínico. Ainda assim, exames complementares são fundamentais para delimitar a extensão da lesão.
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Radiografia simples
Útil a partir dos 2 a 3 anos de idade para identificar flebólitos — calcificações arredondadas consideradas sinal patognomônico — e avaliar eventuais alterações ósseas.
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Ressonância magnética
É o exame de escolha, padrão-ouro, para delimitar com precisão a extensão da malformação e o envolvimento de tecidos profundos.
Opções de tratamento
Por serem alterações estruturais, as malformações venosas geralmente não são erradicadas por completo. O foco está no controle dos sintomas e na melhora estética e funcional.
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Escleroterapia
É o tratamento principal: injeção local de substâncias esclerosantes — como álcool 95% ou polidocanol em espuma a 3% — para induzir o fechamento do vaso malformado.
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Excisão cirúrgica
É a opção definitiva, porém reservada a casos específicos, devido às limitações anatômicas, estéticas e funcionais.
Autoridade e excelência técnica.
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Membro titular da ISSVA
A Dra. Karimy Hamad Mehanna integra a International Society for the Study of Vascular Anomalies, principal sociedade científica mundial da área.
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Especialização e atualização
Atuação voltada ao diagnóstico e ao manejo das anomalias vasculares e do hemangioma infantil, com suporte nas diretrizes internacionais mais recentes.
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Rigor científico
Todo o conteúdo técnico destas páginas está alinhado à classificação oficial da ISSVA.