Malformações arteriovenosas

MAV e fístulas arteriovenosas: anomalias de alto fluxo.

As malformações arteriovenosas (MAV) e as fístulas arteriovenosas (FAV) são conhecidas como anomalias vasculares de alto fluxo, por envolverem diretamente o sistema arterial.

Segundo a classificação atualizada da ISSVA, representam cerca de 14% de todas as malformações vasculares e constituem o grupo clinicamente mais agressivo e desafiador.

Origem e hemodinâmica: por que é uma lesão de alto fluxo.

A lesão é caracterizada por uma comunicação anômala e direta entre o sistema arterial, de alta pressão, e o sistema venoso, de baixa pressão — sem a resistência normal da rede capilar intermediária. Esse fenômeno se chama shunt arteriovenoso.

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    Fístula arteriovenosa (FAV)

    Ocorre quando há uma conexão direta entre uma artéria e uma veia.

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    Malformação arteriovenosa (MAV) e o nidus

    Ocorre quando há a formação de um emaranhado de vasos anômalos interpostos, denominado nidus.

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    Consequências da ausência de resistência capilar

    A pressão arterial é transmitida diretamente ao setor venoso. Essa alteração hemodinâmica pode provocar:

    • Isquemia por "roubo de fluxo arterial"O sangue é desviado da rede que deveria irrigar os tecidos vizinhos.
    • Dor local
    • Ulceração da pele e necrose tecidual
    • Sangramentos significativos

Apresentação clínica e evolução

As MAVs podem estar presentes ao nascimento ou tornar-se evidentes na infância precoce. Elas não regridem espontaneamente. Estirões de crescimento na puberdade, alterações hormonais, infecções ou traumas podem acionar sua expansão súbita.

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    Sinais visíveis e palpáveis

    Apresentam-se como massas cobertas por pele normal ou ligeiramente angiomatosa — tensa e brilhante. Ao exame físico:

    • Aumento da temperatura localA pele sobre a lesão fica mais quente que a vizinhança.
    • FrêmitoVibração perceptível ao toque, provocada pelo fluxo turbulento.
    • SoproRuído audível na ausculta do local, também gerado pelo alto fluxo.
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    Progressão

    Com a evolução, as veias de drenagem tornam-se visivelmente tortuosas e engurgitadas. A hemorragia é uma complicação séria e potencial de urgência.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa pela história clínica e pelo exame físico detalhado, sendo indispensável a complementação por exames de imagem especializados.

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    Ultrassom Doppler colorido

    Excelente método inicial de rastreio, não invasivo. Permite diferenciar lesões vasculares de tumores sólidos e identificar a dinâmica de alto fluxo característica das artérias.

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    Ressonância magnética

    Exame fundamental para delimitar a extensão anatômica precisa e distinguir a MAV de hemangiomas e de malformações de baixo fluxo — venosas e linfáticas.

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    Arteriografia por cateter

    Exame invasivo, essencial para o mapeamento detalhado da arquitetura do nidus e para o planejamento do tratamento intervencionista.

Abordagens terapêuticas: da observação à embolização.

Por se tratar de uma condição complexa, a estratégia exige rigoroso acompanhamento especializado.

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    Acompanhamento conservador

    Indicado em lesões assintomáticas e estáveis. Intervenções desnecessárias ou incompletas podem estressar a lesão e induzir crescimento reativo — por isso não operar também é uma decisão terapêutica.

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    Embolização

    Primeira linha nas lesões avançadas. Procedimento endovascular que usa agentes embólicos — como ônix, álcool absoluto ou molas e stents — para ocluir os vasos alimentadores e o nidus, reduzindo o desvio de fluxo e controlando complicações. Pode ser paliativa ou pré-operatória.

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    Tratamento cirúrgico

    Deve ser criteriosamente planejado e geralmente é precedido de embolização. A ressecção incompleta apresenta altíssima taxa de recidiva e reexpansão da lesão.

Autoridade e excelência técnica.

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    Membro titular da ISSVA

    A Dra. Karimy Hamad Mehanna integra a International Society for the Study of Vascular Anomalies, principal sociedade científica mundial da área.

  • 02

    Especialização e atualização

    Atuação voltada ao diagnóstico e ao manejo das anomalias vasculares e do hemangioma infantil, com suporte nas diretrizes internacionais mais recentes.

  • 03

    Rigor científico

    Todo o conteúdo técnico destas páginas está alinhado à classificação oficial da ISSVA.